

Estava estacionando minha moto na frente da "A Porteira",quando fui surpreendida pela presença do meu querido amigo Eneuso Penalva,que gentilmente autografou uma folha impressa,deu-me,enfatizando e pedindo que a lesse e divulgasse.
Em casa,aguardei o momento oportuno para ler o escrito cujo titulo "Angico"me lembrou a cidade de Sergipe Poço Redondo,Fazenda Angico,onde Lampião foi morto pela Volante comandada pelo Coronel Bezerra.
A principio eu não entendi muito bem porque ele intitulou o texto de Angico, porque na verdade era uma descrição saudosista dos velhos tempos de Esplanada e de alguns momentos marcantes do inicio da televisão brasileira.
Porém,relendo e refletindo em cima do que li, compreendi que "ANGICO",seria a batalha espiritual travada pelo meu amigo que foi acometido de um "surto" de saudosismo dos companheiros de infância e das coisas que ele viveu!
É...realmente dá saudade das manifestações populares da época,que com o tempo foram esquecidas.
Comecei a lembrar do tempo em que o Timbó ainda era de barro vermelho,cheio de cascalho,uma poeira danada!Era pouco iluminado e a luz do gerador, apagava as 20 horas.
Das procissões de lanternas coloridas,EU vestida de anjo,caminhava descalça até o convento dos frades.(Ai como doía meus pés...!!)
Lembrei também dos forrós de zabumba no clube;dos ternos de reis e pastoras.Dos bailes de tabuado,do futebol no campo de aviação.
O velho trem varrendo a madrugada e parando na estação que foi demolida(que pecado!);das rezas de Sto. Antonio nas casas das comadres.Ai que saudade da velha Esplanada com seus chalés coloniais. Profª Olga Schimit, D. Laura,Profª Carmem Vita,D. Zezé,pessoas que se dedicavam tanto na preservação das tradições. Festa de Reis? Que beleza!! Todo mundo vestido com seus espelhos e fitas para adoração ao Rei Menino!
O São João festivo,cheio de fogueiras e balões confeccionados por meu pai.Vinha gente de longe ver seu Jurandyr soltar seus balões gigantes,seus balões charutos.Era uma beleza apesar do perigo.Nós ajudávamos a meu pai colar as folhas de papel seda com cola feita de farinha de trigo que minha mãe colocava em tampas de latas de leite em cima da mesa.
Como era gostoso as brincadeiras das crianças que faziam comidinha nas panelinhas de barro que comprávamos na feira.Feira essa que era uma das melhores da região tão rica nos caxixis,panelas de barro, esteiras.Se vendia cavalo,jegue,carneiro,galo,de tudo.Era legal !
Vou deixar de viajar na saudade porque ficaria extenso meu relato, mas o que eu quero realmente é alertar meus leitores para que atentem,pois pessoas como Eneuzo, EU e muitos outros sentimos MUITO a falta dessas manifestações tão marcantes no passado da nossa história. E se pessoas como ele,eu e outros deixarem de existir,Esplanada deixará de ter quem relate a sua história.E se as pessoas não preservarem,não escreverem,não publicarem os fatos e relatos,ficará difícil num futuro breve a nova geração conhecer o lugar onde nasceram e se criaram.
Felicito ao querido amigo Eneuzo pela iniciativa de publicar com ajuda de amigos,os escritos relatando seu "surto" de saudosismo.
EU também aprendi com ele,eu "viajei" também no passado,eu também tive um "surto" de saudosismo.
Aplaudo sua iniciativa!
