sexta-feira, 23 de março de 2012

SAUDADES DA VELHA ESPLANADA












Fazem dias que observo a Praça...
Esplanada fervilha com o passar dos carros e de pessoas para todos os lados e direções.
Me pergunto o que fazem,como vivem,como sobrevivem...Penso na Cidade que não gera empregos,mas no entanto cresce e abarrota de gente.Acompanho o desenrolar da historia da minha cidade,girando os olhos em orbitas,desejando responder aos seus "porquês".
Sou surpreendida por um senhor que me pergunta:
-Ai vende mingau? Porque não vejo mais a senhora do mingau na Praça.
Respondi: -Ah Senhor...! Isso é coisa do passado, de um tempo que se foi...!
Ele concordou com um balançar de cabeça, um tanto que desapontado.
Fico a relembrar do tempo em que a Pça Ladislau Cavalcante,era uma enorme feira ao ar livre,que me encantava com sua variedade de mangaio,caxixis,balaios e gaiolas.De um tudo agente encontrava.
A feira era uma festa! Todos os sábados, com o sol ainda dormindo por detrás dos eucaliptos, as barracas começavam a ser cobertas com lonas. O chão de barro ganhava novas cores com as panelas, potes, moringas,peneiras e até os "Franciscos",como eram chamados os pinicos. Seu Josés,Antonios e Joãos, ofertavam seus coloridos e diversificados produtos.
A feira reunia os artesãos,os farinheiros, agricultores e pecuaristas.Vez por outra eramos surpreendidos pelo relinchar dos burros e o esganeio dos porcos.Riamos...
O vai e vem de bicicletas e o lamento do carro de boi era o transito da época.
E entre o cantar dos pássaros engaiolados e do apito do trem que teimava passar sempre na mesma hora,o encanto de um passado que ficou pra trás e jamais voltará.
Sonoridades,cheiros ,pessoas e cenários passam como slides na minha mente...
Os velhos cataventos, com suas pás, chamando inverno para Esplanada. Os freis capuchinhos que hoje, já não vemos mais em suas bicicletas e nas suas indumentarias.As reuniões no convento, onde aprendíamos a cantar em italiano (quando piantó una bella polenta).As procissões de lanternas coloridas,as meninas anjos de pés descalço ...
Em Esplanada reinava a tradição,reinava a cultura, reuniam-se as famílias; o homem tinha palavra. Essa foi a Cidade que conheci,onde vivi minha infância e que hoje vejo o desenrolar da violência e do descaso. Meu coração saudosista não consegue suportar a dor de ver MINHA CIDADE se perder entre tantos desencantos.Sei que o desenvolvimento traz muitas consequências,porém tenho saudades da Esplanada menina,terna,inocente.orgulhosa do seu passado valente enriquecedor e cultural.
SAUDADES DA "MINHA ESPLANADA"!